Entrevista com Marisa Letícia

Como a senhora e o Presidente Lula se conheceram?
Marisa Letícia
– Eu trabalhava na fábrica de secadores de cabelo da Arno, em São Bernardo do Campo e um dia o Lu (Lula) passou na frente da fábrica dentro de uma Kombi, distribuindo marmita para os operários. Ai na minha vez de receber a marmita, ele me disse que eu era uma galega linda, uma coisa assim. Faz tanto tempo, bem! A gente começou a fazer greve naquela época, a militar, seqüestrar gente importante. Ai o namoro começou.

A família da senhora não tinha preconceito com o fato do Lula ser analfabeto?
Marisa Letícia
– No início foi difícil. Minha mãe não se conformava, queria que eu trabalhasse de doméstica na casa de algum rico e me envolvesse com o filho do patrão, do jeito que foi com ela. Depois, com as conquistas sindicais que o Lu conseguiu, o meu pai foi obrigado a pagar uma pensão para mim. Ai que ela se tocou que o Lu conseguiu melhorar a vida dela também.

A senhora mudou muito depois que Lula finalmente conseguiu ser presidente, isso é verdade ou é coisa da Veja?

Marisa Letícia – Olha, a única Veja que a gente conhecia era um limpador de gordura (risos). Mas a revista, você ta falando né, ela é muito maldosa as vezes. É um absurdo ela falar que eu não tenho pescoço nem cintura. É um abuso dizer que eu não faço nada além de plásticas e lipoaspiração. Eu regulamentei mais de doze clínicas de estética, fiz uma lista pra revista Caras com os melhores médicos (entre eles o médico esquartejador, Farah Jorge Farah). Nossa, eu podia ficar o dia todo listando minhas obras sociais pra você…

A gente tem bastante tempo…
Marisa Letícia
– Mas eu não, bem. Daqui a pouco tenho uma sessão de drenagem linfática e uma transfusão de sangue.

Então para finalizar, o que a senhora tem a dizer ao povo brasileiro?
Marisa Letícia
– Gente, eu sou uma pessoa que se preocupa muito com o futuro, com onde a gente pode estar no amanhã. Eu viajei pelo mundo, me hospedei em vários hotéis de luxo e mesmo assim eu continuo a mesma pessoa de antes. Humilde, generosa, que se preocupa com o futuro. Eu pesquisei minhas raízes italianas do meu pai, revisei minha vida toda e cheguei a conclusão que eu mereci estar onde eu estou. Eu represento o povo brasileiro, a mulher que luta. Então, vamos esperar que o Lu (Lula) vai resolver o Brasil, igual resolveu a minha vida.

Marisa se despediu da equipe de reportagem e embarcou no seu helicóptero. Daqui, ela vai para a Itália, onde comprou uma cidadania italiana por trezentos mil reais. Depois de passar pela terra de seus supostos antepassados, Marisa vai para Suíça realizar seus tratamentos estéticos agendados.

Cubanos fazem fila para comprar produtos antes proibidos

Cuba começou na terça-feira a venda sem restrições de equipamentos eletrodomésticos, medida que entusiasmou os cubanos, que fizeram fila nas lojas. Mesmo assim, a espera pelos produtos vai continuar grande, por causa dos baixos salários.

As lojas foram autorizadas a vender dezenas de eletroeletrônicos outrora proibidos, como fornos microondas, televisores de tela plana e até computadores.

“Isto deveria ter sido feito há muito tempo. Eles nunca deveriam ter sido proibidos”, disse Felipe, engenheiro de 53 anos, que esperava impaciente na fila para comprar seu primeiro aparelho de DVD.

“Agora nós, cubanos, temos outras opções e assim se resolve um pouco a alternativa do transporte”, disse o animado Raydel Leyva, 42, depois de investir suas economias numa moto de US$ 858, em Havana. “Acredito que todas essas medidas vieram para melhorar a vida do povo e nos fazer sentir melhor vivendo no nosso país”, disse Leyva, que não quis revelar por quanto tempo juntou dinheiro para comprar a moto.

Com uma renda média de  US$ 17 por mês, os cubanos não podem comprar muitos dos novos itens à venda, mas mesmo aqueles que não têm condições se alegraram com a mudança.

“Os preços são astronômicos. Mas pelo menos eu tenho essa opção, e posso economizar para comprar o que quero. As pessoas vão trabalhar mais para comprar esses artigos”, disse Gelis, instrutora de tênis autônoma.

Os produtos mais vendidos eram os de menores preços, como as panelas de pressão, cujo valor ia de US$ 17 a  US$ 54, e os aparelhos de DVD da holandesa Philips e da japonesa Panasonic, que custavam entre US$118 e US$ 162 dólares – mais caros do que em outros países, mas bem mais baratos do que no agitado mercado negro de Cuba.

Já os aguardados computadores e laptops da Dell e teclados e mouses da Microsoft foram retirados das lojas antes da venda começar, até que sejam fixados os preços. Ainda não está claro quando começa a sua venda.

Até agora, esses aparelhos só podiam ser adquiridos por empresas estatais. A maioria dos artigos vem da China.

Antes de adoecer, Fidel Castro iniciou um programa de financiamento a longo prazo de televisores, geladeiras e panelas elétricas chinesas. Raul Castro sucedeu o irmão no dia 24 de fevereiro, prometendo acabar com as “proibições excessivas” no cotidiano de Cuba. Logo permitiu, além dos eletrodomésticos, o acesso a celulares e a hotéis antes reservados apenas a estrangeiros.

fonte: Estadao.com.br