Unip foi a faculdade que teve mais diplomas falsificados, afirma PF

15 Mar

Unip foi a faculdade que teve mais diplomas falsificados, afirma PF

Folha de São Paulo

A Polícia Federal mobilizou hoje (14) agentes em 14 Estados do país para desmantelar um esquema de venda de diplomas universitários falsos que era todo operado pela internet, segundo o órgão, e por apenas um rapaz de 22 anos, a partir de Tangará da Serra (MT), onde ele morava.

Segundo as investigações, que duraram cerca de seis meses, Thiago Francisco Vieira Pereira fazia anúncios em salas de bate-papo e fóruns virtuais, negociava com os interessados por e-mail e remetia os certificados pelo correio, via Sedex. Estudante de um curso técnico de enfermagem, fazia os diplomas na impressora de casa.

Um dos artifícios que usava para convencer os clientes da confiabilidade do produto era dizer que eles eram “quentes”, ou seja, que tinham sido impressos pelas próprias instituições e passados a ele por meio de “contatos” que tinha dentro das universidades.

Apenas durante o período em que foi vigiado, Pereira vendeu pelo menos 34 diplomas, cada um por R$ 1.800, e ganhou R$ 61.200, segundo a polícia. Ele foi preso e interrogado na tarde de hoje.

Foram expedidos 34 mandados de busca e apreensão para vasculhar as casas de pessoas consideradas clientes do rapaz em SP, RJ, MG, PR, RS, SC, MS, ES, MT, PE, MA, AC, PA e BA.

Nem em todas as ações foi possível achar os documentos ou as pessoas. A PF de Mato Grosso não tinha, até a noite de hoje, um balanço completo da operação –apelidada de “Cola”, alusão à prática de plagiar durante provas.

A PF ainda investiga quais eram os cursos e as universidades que aparecem nos documentos falsos. Até agora, a Unip (Universidade Paulista) é a instituição mais constante, devido ao número de campi no interior paulista –região para onde Pereira enviou diversos certificados.

Graças ao esquema, uma mulher que exercia ilegalmente a medicina em Araponga (MG) quase conseguiu um falso diploma da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Mas, antes de terminar a transação, Pereira desistiu.

Ela não foi encontrada ontem pela PF em MG, que não tem registros de seus possíveis erros médicos.

Há também o caso de uma pessoa de São Paulo que usou o documento para concorrer em um concurso público e o de um técnico florestal de Salete (SC) que comprou um diploma de engenheiro florestal, possivelmente usado por ele em seu trabalho atual, nos EUA.

Entre os outros cursos que os compradores diziam ter se formado estão enfermagem, engenharia, fisioterapia e direito.

“Boa parte das pessoas queriam apenas dar um ‘upgrade’ [aprimoramento] na carreira”, disse Adalton Martins, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, em Brasília.

Para Martins, a ação solitária de Pereira é uma evidência de como as novas tecnologias transformaram o crime.

“Foi tudo feito no computador pessoal, da difusão [da oferta] à confecção dos diplomas. Acreditamos que ele usava programas de edição de imagens caseiros para criá-los”, disse.

Por meio de sua assessoria, a UFMG não se pronunciou sobre o caso da falsa médica, até por não ter sido contatada pela polícia ainda.

Outro lado

A defesa de Thiago Pereira disse à tarde que o técnico de enfermagem tinha a “intenção” de entrar no esquema de falsificação e venda de diplomas pela internet, mas que o rapaz nunca chegou a produzir nem um documento sequer.

“Ele se empolgou com a possibilidade de ganhar dinheiro fácil, começou a se preparar, mas nunca concretizou qualquer negócio. Ele não tinha qualquer estrutura nem experiência para se tornar chefe de um esquema nacional”, disse a advogada Lidiane Forcelini.

De acordo com a advogada, Pereira teve acesso ao esquema em novembro do ano passado, durante uma sessão de bate-papo na internet. Uma mulher, que se identificou apenas como Flávia e disse morar em São Paulo, o convidou a participar da trama.

Morador de um distrito de Tangará da Serra (MT), Pereira começou a trocar e-mails com Flávia e, em pouco tempo, já investia em equipamentos de informática. Mais tarde, chegou a anunciar seus serviços em fóruns de discussão. Mas, de acordo com a advogada, ele ainda não estava pronto para entrar no “negócio”.

“Neste momento, as conversas por e-mail entre os dois já haviam sido interceptadas pela Polícia Federal”, afirmou a advogada. “Quando ele estava começando a se organizar para fazer parte do esquema, foi preso pela PF”, disse.

Segundo ela, o despreparo de Pereira ficou evidente na operação de busca que foi feita na casa de seus pais. “Só encontraram notebook, pen drive e impressora comum. É de se imaginar que, para se produzir um diploma convincente, é preciso um equipamento bem mais sofisticado do que este.”

Pereira foi ouvido durante toda a tarde de ontem pelo delegado Marco Aurélio Faveri.

A versão da assessoria da PF é outra. Segundo o órgão, ele confessou a participação efetiva no esquema e a produção de diplomas falsos. A defesa nega. “Ele só admitiu que queria participar”, disse Forcelini.

3 Respostas to “Unip foi a faculdade que teve mais diplomas falsificados, afirma PF”

  1. conrado Dezembro 9, 2008 às 3:53 pm #

    Boa tarde, alguem pode me ajudar a achar um diploma falso?
    Tem uma pessoa que tirou em 2003 ou 2004 um diploma em Salvador, eu queria desmascara-lo achando a cópia deste, existe como achar este? agradeceria se alguem me dar uma idéia.

    grato pela atenção

    Conrado Neto
    conrado@equiparge.com.br
    21 – 2504.1500

    • Gabriel Dezembro 9, 2008 às 4:54 pm #

      Olá! Uma maneira facil d desmascará-lo é entrando com uma ação na justiça ou contratando um detetive!

      Sucesso….

    • pedro Novembro 22, 2009 às 12:25 pm #

      Procure a Universidade, no setor de registro/secretaria e pergunte como confirmar a autenticidade… você vai precisar dos dados dele (nome, cpf, etc) se for falso… o mais provavel é que ele nunca tenha sido aluno da dita instituição.

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